5 anos…
- Ivanize de Souza
- há 7 horas
- 2 min de leitura
Estava lendo sobre Robert Plant, que ficou chateado com alguns integrantes da banda Led Zeppelin quando perdeu seu filho, o pequeno Karac, de apenas 5 anos de idade. Jimmy Page e John Paul Jones não foram ao funeral, o que fez com que Robert se sentisse extremamente magoado e abandonado por seus amigos.
Me identifico com essa situação.
Mas, no luto, existem fases. Os primeiros dias e os primeiros meses são de muito desespero e conflitos internos. Somente o tempo — e só ele — é capaz de colocar nossa saúde mental novamente no lugar.
Ao olhar para a situação de Robert em paralelo com a minha, percebo que tudo é uma questão de ponto de vista e dos momentos vividos durante o processo de luto.
Eu era motociclista. Estava sempre envolvida em passeios, viagens e festas, sempre rodeada por muitas pessoas que eu acreditava serem amigas. Mas, quando perdi meu filho, pouquíssimas delas — dá para contar nos dedos de uma mão — estiveram ao meu lado. E isso foi tão importante!
Afastei-me de tudo e de todos.
Tive que ressignificar minha vida e refazer minha própria história. Não é fácil seguir em frente quando o coração está ferido, partido em mil pedaços, ainda mais quando se trata da perda de um filho.
Esse afastamento foi necessário, e ainda sigo assim, tentando entender por que tudo isso aconteceu.
Mas a minha perda me trouxe sabedoria e me ensinou a enxergar a vida por outro ângulo. Não foram as pessoas que me abandonaram, porque cada um segue sua vida, e é assim que tem que ser. Fui eu quem esperou dos outros as respostas que buscava.
Cada um carrega sua própria história e segue seu caminho, independentemente das dores alheias.
Cabe a mim me curar e continuar tocando a vida com a alegria que sempre existiu em meu coração.
Talvez não exista a cura, não para esta vida.
Percebi o quanto sou vulnerável, há pouco, vendo uma grande amiga querida perdendo seu marido (uma pessoa maravilhosa). Não fui forte para consola- la e devolver o carinho que ela me deu quando precisei. Ver seu sofrimento foi como olhar no espelho, pois eu sinto suas dores.
Hoje completam-se cinco anos desde que meu filho se foi. E parece que foi ontem… A ferida ainda está aberta e talvez nunca se feche. Mas essa ferida me ensina, a cada dia, a ser forte, a levantar a cabeça e dizer:
“Te amo tanto, meu filho! Você me faz tanta falta!”
Mas é por você — e pelas pessoas que seguram minha mão até hoje, minha filha e meu marido — que continuo aqui, de pé, procurando ser uma pessoa melhor a cada dia e ressignificando cada instante da minha existência.
A felicidade depende do ponto de vista com que escolhemos enxergar a vida.
Sou feliz por ter tido a oportunidade de ser mãe do Matheus durante 21 anos. E sou feliz por acreditar que nos encontraremos novamente, porque essa história que conto é apenas uma passagem, um capítulo entre tantos outros que ainda serão escritos.





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